É comum um síndico travar o projeto de carregador elétrico por medo de incêndio de bateria. O problema é que essa crença, hoje, custa dinheiro, literalmente: cada mês de projeto travado é um mês de receita e valorização perdidos por causa de um risco que os dados não confirmam.
O que os números realmente mostram
Segundo estudo da AutoInsuranceEZ, a taxa de incêndio por 100 mil veículos registrados é de 25 em carros elétricos, contra 1.529 em híbridos e 1.530 em carros a combustão. Na prática, isso significa que um carro elétrico é cerca de 60 vezes menos propenso a pegar fogo do que um carro a combustão. A National Fire Protection Association (NFPA) confirma a mesma tendência: o risco de incêndio em veículos elétricos é significativamente menor.
De onde vem o medo, então
Incêndios em baterias de lítio existem, mas são raros, e quando acontecem, são mais difíceis de apagar (exigem grande volume de água para resfriamento), o que gera cobertura de imprensa desproporcional ao risco real. É a mesma dinâmica de qualquer evento raro e visual: fica mais lembrado do que a estatística justifica.
O que a instalação correta já resolve
Instalações que seguem a NBR5410 e as normas do Corpo de Bombeiros (COSCIP/CBMERJ) já contemplam os dispositivos de segurança adequados para recarga de veículos elétricos, não é necessário nenhum ajuste extra nos sistemas de incêndio do condomínio além do que a lei já exige.
O custo real de manter o mito
Enquanto o medo trava a decisão, o condomínio segue sem a receita mensal do ressarcimento de energia, sem a infraestrutura que já é padrão em prédios concorrentes, e sem resposta pronta para os moradores que já têm ou vão comprar um carro elétrico.

